Uma ofensiva coordenada e cirúrgica das forças de segurança do Paraná atingiu em cheio o crime organizado que atuava nos bairros Parque Dom Pedro I e II, em Umuarama. Na manhã desta quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026, a Polícia Militar, a Polícia Penal e o Ministério Público do Paraná, por meio da 3ª Promotoria de Justiça, deflagraram a Operação Dom Pedro — resultado de quatro meses de investigação intensa e monitoramento estratégico.
O alvo: um grupo criminoso estruturado para o tráfico de drogas, associação criminosa e corrupção de menores. O desfecho foi contundente. Ao todo, foram cumpridas 24 ordens judiciais, sendo 11 mandados de busca e apreensão e 13 mandados de prisão. Destes, 11 foram efetivamente cumpridos durante a operação.
De acordo com o tenente-coronel Carlos Peres, além das prisões, as equipes apreenderam celulares, dinheiro e porções significativas de entorpecentes. O balanço dos quatro meses de trabalho revela a dimensão da atuação criminosa: 2,6 quilos de substância análoga à maconha, 1,5 quilo de crack, 450 gramas de cocaína, R$ 550 em espécie e 17 aparelhos celulares recolhidos.
Durante a ofensiva, oito menores foram apreendidos por atos infracionais análogos ao tráfico de drogas e nove adultos presos. No total, ao longo de toda a investigação, 30 pessoas foram presas. Todos os envolvidos são moradores dos bairros Alvorada, Industrial e Dom Pedro — regiões que vinham sendo impactadas diretamente pela ação da organização.
A operação é um desdobramento de duas grandes ações realizadas no ano passado, que já haviam levado à prisão de integrantes do mesmo grupo. As investigações revelaram que dois homens apontados como líderes da organização, com vínculos às facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho), continuavam comandando o tráfico mesmo de dentro do sistema prisional. Eles estão custodiados na Penitenciária Estadual de Cruzeiro do Oeste e na Penitenciária de São José dos Pinhais, de onde, segundo as apurações, partiam ordens diretas para os comparsas em liberdade.
A promotora de Justiça Luciana Helena Tofano destacou que o trabalho investigativo começou há cerca de dois anos, a partir de prisões efetuadas pela Polícia Militar. Desde então, equipes do Serviço Reservado de Inteligência da PM passaram a monitorar os suspeitos, reunir provas e mapear a estrutura do grupo. O material coletado foi determinante para a expedição dos mandados judiciais que culminaram na operação.
Os celulares apreendidos serão submetidos à perícia técnica, etapa considerada crucial para aprofundar as investigações. A expectativa é que a análise do conteúdo revele novos envolvidos e amplie o alcance das responsabilizações.
Com mais de 30 prisões relacionadas ao caso desde o início das apurações, a Operação Dom Pedro representa um duro golpe contra o crime organizado em Umuarama. As investigações seguem em curso, e novas prisões não estão descartadas.