Produtores rurais de Umuarama se mantiveram em estado de atenção após informações de que integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) estariam articulando a ocupação de uma propriedade rural situada dentro do território do município já no próximo final de semana. Ontem (27) mesmo, a informação foi rebatida por membros da direção estadual do Movimento.
Um grupo de integrantes do MST, em junho de 2025, havia montado acampamento em uma área situada às margens da Estrada Divisora, na região conhecida como Três Placas, a cerca de 15 quilômetros da Fazenda Pico do Juazeiro, apontada agora como um de seus possíveis alvos. Em ambas as situações – do ano passado e atualmente – conforme relatos de fontes do Portal Umuarama News, tem a intenção de ocupar tal área que, segundo representantes do movimento, encontra-se em fase de análise pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), órgão responsável por avaliar se o imóvel rural cumpre ou não a função social e apresenta índices de produtividade.
As informações que chegaram à reportagem também indicaram que lideranças estariam reorganizando famílias para uma nova tentativa de ingresso na propriedade, que possui aproximadamente 1.620 alqueires paulistas. A propriedade rural abriga diversos arrendatários e mantém exploração direta pelos proprietários, com atividades como pecuária de engorda, cultivo de cana-de-açúcar, mandioca, produção de sementes e outros insumos agrícolas.
Ainda conforme as fontes do Portal, haveria a possibilidade de impedimento da retirada de máquinas utilizadas na rotina produtiva, bem como restrições à saída de animais existentes na área. Proprietários e produtores rurais, por sua vez, afirmam que a fazenda apresenta elevados índices de produtividade e desempenha regularmente suas atividades.
Diante do cenário, órgãos municipais, estaduais e federais passaram a ser mobilizados. O presidente do Sindicato Rural de Umuarama, Sidney Lujan, informou que uma reunião foi feita ontem à tarde, com a cúpula das forças de segurança do município e do Estado (Polícias civil e Militar) para discutir medidas preventivas e a possibilidade de reforço policial na região.
“Nos reunimos com os novos comandantes das Polícias Civil e Militar de Umuarama para tratar do tema. Também mantivemos contato com o Sistema a Faep”, afirmou Lujan. Ele destaca que a situação da área depende exclusivamente de análise técnica do Incra. “É o Incra que vai dizer se a propriedade é produtiva ou não. Até lá, permanecemos em alerta para evitar qualquer tipo de abuso”, finalizou.
Normas do MST
De acordo com normas internas do MST, apesar de a entidade não possuir personalidade jurídica, os integrantes precisam permanecer nas proximidades da área em avaliação e dentro dos limites do município para pleitear eventual destinação da terra.
Palavra do MST
Por outro lado, a coordenação e direção estadual do Movimento Sem Terra na região de Umuarama, por meio de João Flavio Borba, informou em nota que a informação repassada à imprensa de que haveria uma invasão à propriedade Pico do Juazeiro, seria falsa e que o MST não realizou nem planejou a ocupação da área.
A nota afirma ainda que: “O que se sabe é que a fazenda é alvo de uma vistoria técnica do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra-PR) para verificação do cumprimento da função social”.
Borba lembra que, atualmente, 560 famílias estão instaladas na região de Umuarama, todas cadastradas no Incra, pois possuem o perfil necessário para serem assentadas pela Reforma Agrária. O mesmo grupo aguarda definições da diretoria para se manifestar. Estas mesmas famílias estavam em um acampamento, localizado a cerca de 15 quilômetros da Fazenda Pico do Juazeiro, e se reinstalou posteriormente na região de Perobal.
“A fazenda Pico do Juazeiro é somente uma das áreas vistoriadas pelo Incra”, reforça Borba.