O Governo do Paraná anunciou que vai implementar uma série de medidas econômicas para tentar ajudar as empresas do estado que estão sendo ou serão afetadas pela decisão e Donald Trump de aplicar tarifa de 50% a produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos a partir de 1º de agosto.
O plano estadual envolve oferta de crédito, aumento de prazos para pagamentos de empréstimos já acordados, utilização de créditos de ICMS para que as empresas tenham mais capital de giro ou usem como garantia na tomada de recursos, entre outros.
O anúncio foi feito nesta sexta-feira (25), dias depois de empresas anunciarem medidas emergenciais que afetam trabalhadores paranaenses.
Nos Campos Gerais, uma indústria divulgou que vai demitir 100 funcionários de Ventania e Telêmaco Borba, e outras duas fábricas anunciaram férias coletivas de última hora em Jaguariaíva, Telêmaco Borba e Guarapuava. Em uma delas 1,5 mil trabalhadores foram afetados e, na outra, 640 – inicialmente.
Diante do cenário, representantes do governo estadual se reuniram com representantes do setor produtivo ao longo da semana para ouvir as demandas sobre o tema e buscar caminhos para amenizar os impactos da taxação americana caso ela entre em vigor.
Com isso, o pacote de ajuda foi elaborado com as seguintes medidas:
Fomento Paraná e o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) vão ofertar linhas de crédito especiais às empresas afetadas pelo tarifaço. A disponibilidade deve ultrapassar R$ 400 milhões dentro das duas instituições financeiras, segundo o governo.
As empresas poderão solicitar o adiamento do pagamento de parcelas de empréstimos já contratados na Fomento Paraná e no BRDE, dentro das regras estabelecidas pelo Banco Central.
Flexibilizaçãodos prazos de investimento das empresas enquadradas no programa Paraná Competitivo.
Empresas afetadas pelo tarifaço que têm crédito de ICMS na Receita Estadual poderão utilizá-lo parcialmente para monetização, giro ou como garantia na tomada de recursos. Segundo o governo, a estimativa de impacto financeiro da medida vai depender de adesão e avaliação individual.
De acordo com o secretário da Fazenda, Norberto Ortigara, as políticas de auxílio visam preservar as empresas, a economia do estado e, principalmente, os empregos.
Segundo ele, o Governo do Paraná também estuda aporte de capital no Fundo de Desenvolvimento Econômico (FDE) para oferecer mais recursos no mercado com juros baixos para empresários dos setores mais atingidos.
“Os impactos sobre os setores ainda são incertos e o Governo do Estado não descarta adotar novas medidas ao longo das próximas semanas”, afirma o governo.
De acordo com dados divulgados pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), em 2024, o estado exportou cerca de US$ 1,58 bilhão aos EUA.
A maior parte dessas vendas, totalizando US$ 1,19 bilhão, foi de produtos dos setores da madeira, móveis, carne, café e mate, pescados, couro e calçados, mel, metalmecânico, siderurgia, cerâmica, papel e celulose e sucos. Juntos, esses segmentos são responsáveis por mais de 380 mil empregos diretos e 240 mil indiretos no estado.
De acordo com o Governo do Paraná, de janeiro a junho de 2025 o estado já totalizou US$ 735 milhões em exportações ao país norte-americano.
Para o Paulo Roberto Pupo, diretor da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), as medidas anunciadas pelo governo são paliativas, mas fundamentais nesse momento, principalmente pelo senso de urgência de manter as operações em andamento.
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