ão de que um comboio do tráfico, transportando impressionantes 70 toneladas de maconha, circulou livremente por áreas que pertencem à jurisdição de pelo menos 11 delegacias da Polícia Nacional antes de ser finalmente interceptado. A informação foi confirmada pelo ministro Jalil Rachid, chefe da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas), ontem (3), em entrevista coletiva.
Segundo Rachid, os três caminhões e 19 veículos que compunham o comboio seguiram sem qualquer abordagem rumo à fronteira com Mato Grosso do Sul. “Estava tudo liberado no caminho. Ninguém destas unidades viu o comboio passar”, declarou o ministro, levantando fortes suspeitas sobre a possível participação de agentes da Polícia Nacional na facilitação do transporte da carga milionária. Até o momento, a corporação não emitiu resposta oficial às declarações, que aumentam a pressão sobre a instituição.
O caso reacende uma crise que já havia ganhado notoriedade meses atrás. Em fevereiro, outro comboio – este com quase 15 toneladas de maconha – percorreu a mesma rota sem ser incomodado, resultando na queda de chefes policiais da região após ampla repercussão pública. Agora, com volume ainda maior e operação mais estruturada, a suspeita de conivência volta à tona de forma ainda mais contundente.
A interceptação ocorreu na madrugada, na região de Curuguaty, localizada a cerca de 90 quilômetros de Paranhos (MS). Agentes da Senad, apoiados por militares do Codi (Comando de Operações de Defesa Interna), cercaram os três caminhões carregados e os demais veículos — entre eles 12 Toyota Hilux, uma S10, uma Fiat Toro, uma Mitsubishi Outlander e quatro automóveis.
Houve intensa troca de tiros. Mesmo utilizando colete balístico, o paraguaio Sergio Daniel González Aguilera foi atingido e morreu no local. A maioria dos envolvidos conseguiu fugir pela mata, mas cinco suspeitos foram presos: Andrés Medina Britez, Héctor Valentín Martínez Marín, Arnaldo Giménez, Mauro Zarza Suárez e Idalia Samaniego Bernal. Mauro foi baleado sem gravidade. Idalia, curiosamente, havia postado uma foto em uma casa com piscina cerca de uma hora antes de ser capturada — usando o mesmo vestido do momento da prisão.
A operação também resultou na apreensão de arsenal considerado expressivo: três fuzis calibre 5.56, uma escopeta calibre 12, uma granada, quatro coletes balísticos e cinco casacos táticos. O caso aprofunda o clima de desconfiança sobre setores da segurança pública paraguaia e promete desencadear novas investigações internas.