11 de abril de 2026
Carregando previsão do tempo...
Pesquisa

Senado italiano aprova lei histórica que tipifica o feminicídio e prevê prisão perpétua

Entre os casos que influenciaram o debate público está o da brasileira Ana Cristina, assassinada na Itália na frente de seus filhos.
Por: Pâmela Leony
24/07/2025 22:01
Atualizado há 9 meses

Em uma votação unânime considerada um marco na luta contra a violência de gênero, o Senado italiano aprovou, no último dia 23 de julho, o projeto de lei que introduz o crime de feminicídio no Código Penal do país. A nova legislação estabelece a pena de prisão perpétua para quem matar uma mulher em razão de seu gênero.

O projeto recebeu 161 votos favoráveis e nenhum contrário, sendo aplaudido por parlamentares de todas as bancadas — um gesto que sinaliza a urgência e a relevância do tema na sociedade italiana. A proposta agora segue para a Câmara dos Deputados, onde deve ser votada nas próximas semanas.

Feminicídio tipificado como crime autônomo

Embora o termo “feminicídio” já fosse amplamente utilizado em debates públicos e jurídicos, até então ele não era reconhecido formalmente como um crime autônomo na legislação italiana. A nova lei preenche essa lacuna, definindo o feminicídio como o homicídio de uma mulher motivado por atos de discriminação ou ódio de gênero, ou com o objetivo de reprimir o exercício de seus direitos, liberdades ou personalidade.

Além da tipificação, o texto prevê agravantes para outros crimes de violência de gênero, como maus-tratos, perseguição, violência sexual e pornografia de vingança. Também está prevista uma rede de apoio psicológico e financeiro aos órfãos de vítimas de feminicídio.

Dados alarmantes e um problema sistêmico

De acordo com o Ministério do Interior da Itália, o país registrou 117 feminicídios em 2023, sendo 99 cometidos por familiares, companheiros ou ex-companheiros. Em 2024, os números continuam altos, com 113 casos registrados, e, até julho de 2025, mais de 50 mulheres já foram assassinadas.

Especialistas afirmam que os dados evidenciam um problema sistêmico e enraizado na cultura patriarcal. A nova legislação, portanto, é vista como um passo fundamental para endurecer o combate à violência de gênero, embora haja consenso de que penas mais severas não são suficientes por si só.

Caso Ana Cristina: violência com repercussão internacional

Entre os casos que influenciaram o debate público está o da brasileira Ana Cristina, assassinada na Itália na frente de seus filhos. O caso chocou tanto a comunidade brasileira quanto a italiana. A advogada internacional e ex-deputada Renata Bueno, que atua na defesa dos direitos das mulheres e acompanha juridicamente o caso, afirma que a nova lei é um avanço significativo.

— “Não se trata apenas de punir os responsáveis com mais rigor, mas de oferecer também proteção real às famílias das vítimas e mecanismos eficazes de prevenção”, destacou Renata.

Prevenção e mudança cultural ainda são desafios

Apesar do avanço legislativo, organizações de direitos humanos alertam para a necessidade de ações coordenadas de prevenção, que envolvam educação para a igualdade de gênero, campanhas de conscientização e estruturas de apoio às mulheres em situação de risco.

A oposição italiana também ressaltou que o enfrentamento da violência de gênero deve ir além da punição e envolver mudanças culturais profundas.

Itália como exemplo internacional

A proposta foi liderada pelo governo da primeira-ministra Giorgia Meloni e endossada por figuras importantes como o presidente do Senado, Ignazio La Russa. A aprovação unânime é vista como um raro momento de consenso político em torno de uma causa urgente e essencial.

Caso seja aprovada também na Câmara, a Itália se tornará um dos poucos países europeus com legislação específica e rigorosa sobre feminicídio, posicionando-se como referência no enfrentamento à violência de gênero.

Um marco histórico, mas não o ponto final

Para especialistas e ativistas, a lei representa um marco histórico, mas é apenas um dos passos necessários. A luta contra o feminicídio exige esforço contínuo do poder público, da sociedade civil e da população em geral.

“A memória de mulheres como Ana Cristina e tantas outras vítimas deve ser honrada com ações concretas. Que essa lei seja não apenas uma resposta legal, mas também um símbolo de um novo compromisso com a justiça, a dignidade e a segurança de todas as mulheres”, conclui Renata Bueno.

Fonte:
Pâmela Leony
Com 48 obras em andamento, construção de creches financiadas pelo Estado avança no Paraná
Com 48 obras em andamento, construção de creches financiadas pelo Estado avança no Paraná

mais notícias

Prefeito reafirma esforços pela juventude e anuncia novas empresas
Preso em flagrante homem que armazenava pornografia envolvendo adolescente em Umuarama
Mulher fica ferida e tem carro danificado após ataque do ex-marido em Perobal
Posse da diretoria do CDU reúne lideranças regionais e estaduais
Umuarama recebe curso gratuito de Inteligência Artificial para negócios
Óleo na pista provoca sequência de colisões na PR-317 e quase termina em tragédia

Usamos cookies para melhorar sua experiência. Veja nossa Política de Privacidade.